As doenças do coração e a diabetes constituem as principais causas de morte na população brasileira. Não existe uma causa única para essas patologias se desenvolveram, e sim, vários fatores de riscos, que aumentam a probabilidade de suas ocorrências. O Diabetes Mellitus (DM), apresenta-se hoje, como uma epidemia mundial, transformando-se em um grande desafio para os sistemas de saúde de todo o mundo. Esta atual e real epidemia, para não dizer pandemia, pode ser totalmente explicada pelo aumento do envelhecimento populacional, que é um acontecimento e um fato mundial. O crescimento da população de idosos com o aumento dos números de casos positivados de diabetes advém de uma série de fatores combinados, entre os quais o melhor controle de doenças sexualmente transmissíveis, o diagnóstico precoce de afecções crônicas, o desenvolvimento mais acentuado de novos medicamentos e a melhora na qualidade de vida. Tendo beneficiado o aumento quantitativo da expectativa de vida destes idosos na sociedade, pôde-se observar o maior crescimento desta insidiosa doença, que se não tratada, mata ou mutila.
Infelizmente, somente neste sentido, com o envelhecimento da nossa população, juntamente com a crescente urbanização social e a adoção de estilos de vida pouco saudável, a exemplo o sedentarismo, as dietas fartas e inúmeras vezes, totalmente inadequadas para esta faixa de idade, levam a obesidade. Há também o afrontoso tabagismo com o uso abusivo do álcool.Então, esta população que antes era atingida por afecções mais tardias, como doenças degenerativas,a exemplo as artrites e artroses, ou as relacionadas aos sistemas cardiocirculatório, ou as do aparelho digestivo e osteoarticular, além da doença de Alzheimer, agora engrossa a fila e os índices dos pacientes com diabetes em todo o mundo.
No Brasil, baseado em dados estimativos de 2006, já existiam cerca de 6 milhões de portadores de diabetes, devendo alcançar ainda, o infeliz patamar de 10 milhões de pessoas.Sabe-se que os adultos com diabetes apresentam riscos de 2 a 4 vezes maior de doença cardiovascular e acidente vascular encefálico (AVE), antes denominado de acidente vascular cerebral (AVC).É também, a causa mais comum de ablações, que são as terríveis amputações de membros inferiores não traumáticas, além de outras seqüelas, como a tiflose irreversível, conhecida como a “cegueira irreversível” da diabetes, além da doença renal crônica terminal.
É admirável ressaltar que já existem elementos bioquímicos e realces científicos satisfatórios para antecipar e/ou adiar a manifestação do diabetes e de suas complicações e que pessoas e comunidades progressivamente têm ascensão a esses cuidados. Investir na prevenção é determinante não só para avalizar a qualidade de vida como também para impedir a hospitalização e os conseqüentes gastos, especialmente, quando se analisa o alto grau de sofisticação tecnológica da medicina contemporânea.Nesta conjuntura, é imperioso que os governos ajustem seus sistemas de saúde para lidar com os problemas educativos, de comportamento, nutricionais e de auxílio que estão impulsionando a epidemia de diabetes, sobretudo no sentido de reduzir a iniqüidade de acesso a serviço de qualidade. Investir em atitudes que eduquem desde cedo jovens, no intuito da prevenção, seria a forma mais correta e menos dispendiosa, quando se trata de saúde pública. O governante preocupado com a saúde pública, não pensa somente no tratamento mais adequado ou mais sofisticado para ter em suas unidades de saúde, pensa, sim, na profilaxia do não surgimento da doença. Porém, neste país, o que realmente sobra em demasia para a população é o descaso e o malfazejo de seus governantes. Prevenir, educar e impedir agravos à saúde do cidadão, este é o caminho a ser professado e seguido por profissionais comprometidos com a saúde e o bem estar de sua cidade. Na ausência da seriedade dos governantes e do descrédito de uma população já por demasia sofrida, a única arma é clamar pela ética e pelos juramentos a que fizemos jus.
[* Bioquímica-ologista, Professora do Curso de Enfermagem da Faculdade de Excelência Educacional do Rio Grande do Norte – FATERN Gama Filho]