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Dia Mundial do Administrador de Pessoas

* A Adm. e Profª Nilva é coordenadora e professora do curso de Administração da FATERN Gama Filho. Conselheira efetiva do Conselho Regional de Administração do RN. Diretora de fiscalização e registro do CRA/RN e consultora de detalhes da ADM Nilva CESF & Cia.

De acordo com a Pesquisa Nacional sobre o Perfil, Formação, Atuação e Oportunidades de Trabalho do Administrador, realizada em 2006 pelo Conselho Federal de Administração, a identidade do “Administrador” foi consolidada com uma imagem de um profissional que atua com a visão sistêmica da organização, tendo com isso condições de articular as suas diversas áreas internas.

Se o Administrador de Pessoas é um Administrador então ele está qualificado para atuar não somente com a burocracia tradicional dos processos de controle de pessoal das organizações. Deveria estar implícito em suas competências, a capacidade de identificar cenários e oportunidades e perceber, atrair, reter, motivar, formar e direcionar a energia e os talentos humanos de nossas organizações para a busca da excelência em resultados. Mas isso não acontece da noite para o dia. Tudo faz parte da evolução humana. Afinal, estamos tratando de cuidar de pessoas.

Segundo Ana Cecília da Silva, supervisora de RH da rede de livrarias FNAC, com 12 anos de profissão, uma das principais mudanças na carreira do Administrador de Pessoal foi que ele deixou de ser apenas um administrador de problemas para ser um provedor de soluções também. Pois bem, ao receber a incumbência de escrever sobre o tema deste artigo, confesso minha surpresa, pois desconhecia que existia essa data comemorativa. Naturalmente, busquei me atualizar sobre o assunto. Corri para verificar e percebi que existem “lentes” diversas para expressar hoje o que é a mesma coisa.

Não vou entrar muito em detalhes, mas se antes existia o “Administrador de Recursos Humanos”, “Administrador de Pessoal” e o “Administrador de Relações Industriais”, uma coisa é certa: a essência de todos permanece focada no servir ao próximo em busca da excelência em resultados para as organizações. E aí nos deparamos com algo bem cíclico. As organizações existem para servir as pessoas e assim sucessivamente.

Ocorre que, nas vias de fato, a situação é bem mais complexa. Mesmo com significados especiais, há a certeza de que todos contribuem para demonstrar a dificuldade referente ao trato com as pessoas ou os recursos humanos das organizações, o terceiro fator de produção. Identificamos que a administração de pessoal trata da parte dita cartorial nas organizações, que são principalmente os registros de seus membros. Esta se encarrega das rotinas trabalhistas e de pessoal, tendo sob sua responsabilidade a administração dos eventos burocráticos decorrentes do contrato de trabalho.

Sem dúvida, não se pode admitir que não sejam importantes essas funções, já que é imprescindível o controle da vida funcional dos empregados, com vistas à avaliação de desempenho, treinamento, remuneração, controles de freqüência, entre outras tarefas específicas.

Quanto às relações industriais é outra área relacionada a pessoal, que cuida das relações trabalhistas externas da empresa com os sindicatos, com o governo e com outros órgãos públicos. A administração de recursos humanos, por seu lado, cuida da parte referente ao desenvolvimento das pessoas que pertencem à organização. Isto quer dizer que ela não cuida somente da remuneração, da avaliação ou do treinamento das pessoas, mas do seu desenvolvimento como um todo. Encarrega-se, especificamente de promover a integração do trabalhador à organização, por meio da coordenação de interesses entre a empresa e seus colaboradores. Tudo fica lindo dentro da política e da ótica do pessoal de recursos humanos. Isso por que não entrei no mérito de comentar sobre o gestor de pessoas.

Hoje, trabalhando a organização consciente sabemos que todo colaborador precisa ter um “A” de Administrador de Pessoas, em primeiro lugar, partindo do conhecimento de si mesmo. Como cuidar do outro se não consigo administrar a mim mesmo? A partir dessa premissa de se conhecer e então preparar-se para perceber as nuances do relacionamento com o outro e de todos os outros inter-relacionamentos (na empresa e com seus parceiros), teremos melhores administradores de pessoas. Em particular, acredito que diante de vários estudos, entre eles o de Raimundo Soares, sobre o conceito do “SER”, trabalhamos sempre em três dimensões em tudo que envolve o ser humano, seja no passado, no presente ou no futuro.

Ainda segundo Soares (2001), ao observar os padrões das dimensões da natureza dos seres vivos e suas formas de representação foi possível identificar as dimensões de sensibilização, que estabelece os motivos para o convívio organizacional; a educação, que desenvolve as competências e a sabedoria e a realização, que promove a ação organizada.    

Estimular o conceito do SER em cada um de nós pode ser um desafio salutar para o caminhar evolutivo de nossos recursos humanos e em especial para o Administrador de Pessoas. Mas, aproveitando o tema da evolução deste profissional, acrescentaria aqui, a necessidade do Administrador de Pessoas acompanhar as redes sociais através de websites do conhecimento, de msn, orkut, linkedin, facebook, twitter, etc, como instrumentos adicionais de cuidar das pessoas. Com o advento da internet temos muito conteúdo e pouco tempo para tratar desse conhecimento e as redes sociais tem contribuído para nos deixar mais amparados.

No momento, seja em empresas no hemisfério norte ou no hemisfério sul, pública ou privada, cabe a reflexão sobre a responsabilidade do administrador de pessoas, que precisa perpassar no pensamento de se tornar uma referência no sentido de adequar as realidades da necessidade da organização procurando sempre agregar valor a partir do conhecimento de si mesmo, do conhecimento do outro e dos outros entre si, redobrando o cuidado de que em tudo o que for realizar, precisa se perguntar: "Eu posso fazer melhor ? "