Tais países centraram seus esforços no desenvolvimento de uma eficiente indústria voltada às exportações, que produzia bens manufaturados a custo baixo e os fornecia a praticamente todo o mundo, obtendo superávits comerciais que alimentavam o crescimento local.
Porém, em 1997, percebeu-se que a bonança dos tigres havia sido construída como um castelo de cartas, que desabou ao primeiro vento mais forte, representado pelo ataque especulativo à, até então, pouco conhecida moeda tailandesa, o baht. A crise teve reflexos por todo o mundo, jogando o Brasil na primeira de uma série de turbulências, que passaria também pela crise russa e culminaria com a forte desvalorização de nossa moeda, o real, em janeiro de 1999 (percebeu-se, então, que a sobrevalorização da divisa brasileira ante o dólar era outro castelo construído de forma irresponsável).
Voltando à Coreia do Sul, a destacada pujança do período entre os "Tigres Asiáticos" jamais se repetiu. A partir dessa época, o país passou por uma série de reformas econômicas e políticas, e também por reestruturações empresariais. Hoje, conta ainda com gigantes mundiais, como os grupos LG, Hyundai e Samsung. Mesmo assim, sua economia continua muito exposta às variações de ânimo do cenário mundial, o que redunda em constatações como a feita pelo seu Ministério da Economia.
O Brasil, por outro lado, que sentiu fortemente o impacto da crise asiática e dos subseqüentes problemas, tem atualmente bases econômicas mais bem construídas e com um amplo mercado interno e, reconhecidamente, está-se comportando melhor do que a maioria dos países.
A grande diferença é que, mesmo tendo registrado importantes avanços na última década, o Brasil ainda patina em relação à qualidade da Educação oferecida à população, ponto essencial para a consolidação de seu desenvolvimento. Devemos lembrar que a Coreia do Sul havia construído sua projeção no cenário mundial de forma muito bem embasada e planejada, com investimentos massivos em Educação, o que até hoje oferece reflexos muito positivos sobre a qualidade e a condição de vida dos sul-coreanos.
No Brasil, apesar da universalização, com a Educação alcançando quase 100% das crianças em idade para iniciar sua vida escolar, ainda falta muito para atingirmos a qualidade necessária para o nosso adequado desenvolvimento. Os avanços tecnológicos, o crescimento econômico e a globalização exigem a formação de profissionais capacitados a dar respostas às demandas que se apresentam. Hoje, é difícil até mesmo encontrar técnicos capacitados a responder às nossas necessidades organizacionais básicas.
Por isso, em um momento de crise como o atual, devemos ser ambiciosos, planejar, estruturar e investir fortemente em Educação de qualidade. Mesmo contando com condições mais favoráveis de enfrentar este momento de turbulências, é preciso vislumbrar avanços futuros e construir uma base forte para garantir o crescimento sustentável de nosso país.
Tomemos, portanto, como exemplo a Coreia do Sul e a preocupação com a Educação de seu povo, para que nossa condição de país política e economicamente equilibrado seja reforçada a partir da construção de uma base cidadã preparada para enfrentar os desafios que virão à frente.
Por Fernando Augusto Trevisan. Admnistrador, jornalista e diretor executivo da Trevisan Escola de Negócios
Fonte: e-thesis
http://www.e-thesis.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=5141&Itemid=46

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